AUTOR: Francisco Barrios Marco, Fisioterapeuta

COMO FUNCIONA A MAGNETOTERAPIA?

As magnetoterapias de alta e baixa frequência funcionam porque no nosso organismo há uma grande quantidade de iões livres e moléculas equilibradas electricamente, como a água, que funcionam como dípolos devido à orientação das suas cargas. Quando se submetem à influência de um campo magnético ao qual se atribui determinada frequência em função da patologia a tratar, contribui-se para um aumento do movimento destas substâncias, por se encontrarem no meio de um campo magnético oscilante e serem repelidas ou atraídas, em função da sua carga eléctrica. O efeito não é tão intenso como para proporcionar uma quantidade de calor que devamos considerar como mais um elemento da equação terapêutica, ainda que em alguns casos os pacientes cheguem a percebe-lo. Este movimento adicional acelera os processos químicos no organismo, favorece a acção da bomba sódio-potássio e ajuda a regular as trocas no seu tecido em que estes se vejam diminuídos, pela acção de uma patologia crónica ou inflamatória.

A magnetoterapia actuará também sobre o tecido ósseo, a linfa, os músculos. Em todos estes casos vai acelerar o trofismo e favorecer os processos de reabilitação.

POR QUE RAZÃO A MAGNETOTERAPIA ACTUA CONTRA A DOR?

Não existe uma causa única responsável pelos efeitos antiálgicos da magnetoterapia. Podemos observar um resultado somatório de vários dos efeitos biológicos que a magnetoterapia produz sobre os tecidos do corpo humano especialmente eficaz nos processos de carácter inflamatório. O relaxamento da musculatura conseguido com a magnetoterapia por sua vez melhora a circulação local, a fibra lisa relaxa e produz-se uma vasodilatação, a segregação de endorfinas contribui para o aumento do umbral da dor e uma ligeira hiperemia e uma maior contribuição sanguínea suscitam um efeito anti-inflamatório. A normalização do potencial da membrana também contribui para a acção da magnetoterapia contra a dor.

QUANTO TEMPO E QUANTAS VEZES POR DIA SE PODE UTILIZAR A MAGNETOTERAPIA?

A magnetoterapia, com as suas múltiplas aplicações de baia e alta frequência e as suas possibilidades no trabalho com diversas intensidades do campo magnético, exige que nos adaptemos ao equipamento com o qual recebemos tratamento, dependendo das características do mesmo, em concreto da potência em Gauss, a duração do tratamento será maior ou menor.

Recomendamos prestar especial atenção às indicações do manual de instruções que acompanha o fabricante de cada equipamento de magnetoterapia. Em geral, não se recomenda realizar mais do que uma sessão diária de tratamento.

A MAGNETOTERAPIA TEM MUITAS CONTRA-INDICAÇÕES?

A magnetoterapia é uma das terapias físicas que tem um menor número de contra-indicações absolutas. É certo que supõe um risco específico para pessoas que têm implantado um marca-passos. É evidente que um equipamento que gera impulsos magnéticos intensos afectará um marca-passos e em modo algum podemos correr riscos tão elevados.

No caso de patologias tumorais, está contra-indicado precisamente pela capacidade de acelerar os processos tróficos. Nestas patologias praticamente fica excluída qualquer aplicação de electroterapia.

Em mulheres grávidas, mesmo que não se tenha realizado nenhum estudo sobre o risco, que é muito compreensível, é preciso um cuidado especial. Assim, como precaução, fica excluída a magnetoterapia em caso de gravidez.

Como medida de precaução, e considerando que cada equipamento tem umas características muito definidas relativamente à potência e frequência, será conveniente em todos os casos consultar o manual de instruções próprio de cada equipamento e prestar atenção às contra-indicações específicas que evitará que corramos riscos desnecessários.

EXISTE ALGUMA PROVA SOBRE COMO A MAGMETOTERAPIA É EFICAZ NA OSTEOPOROSE?

Sim, tanto que basta perguntar a qualquer Fisioterapeuta que trabalhe num centro público ou privado com magnetoterapia para que possa dar múltiplos exemplos de resultados óptimos que foram avaliados por densitometrias ósseas antes e depois do tratamento.

Nunca é demais recordar que a osteoporose de que sofriam os astronautas por estarem grandes períodos de tempo longe do campo magnético terrestre, melhorava ao regressar à Terra. Parte dos avanços das investigações do uso da magnetoterapia foram financiadas pela NASA para serem aplicados no tratamento dos tripulantes das naves espaciais.

QUE EQUIPAMENTO DE MAGNETOTERAPIA ESCOLHER?

É sempre conveniente receber aconselhamento profissional. É aconselhável estabelecer contacto com lojas on-line que disponham deste tipo de ajuda oferecida por profissionais sanitários. Encontra-a normalmente em páginas de saúde e menos em lojas que apenas se dedicam à venda.

De qualquer das formas, vamos dar-lhe algumas ideias úteis para avaliar como adquirir um bom equipamento de magnetoterapia:

● Antes de mais, verifique que está a adquirir um equipamento com registo sanitário, que não lhe vendam um electrodoméstico que diga que é terapêutico. Veja se indica claramente: um equipamento com registo sanitário deverá indicar CE e quatro números, por exemplo: Dispositivo médico certificado CE0051.

● Verifique se alcança pelo menos os 100 Gauss de potência do campo magnético. Isto deve estar claramente especificado na ficha técnica. Abaixo desta intensidade a eficácia diminui. Há equipamentos com 100 Gauss que são mais económicos do que outros com 50 - 80 Gauss, assim, há estar atento para não deixar-se levar pela publicidade e estar mais atento às potências dos equipamentos.

Se além disso o equipamento em questão tiver mais de uma saída e nos permitir tratar várias partes do corpo de uma vez, muito melhor.

QUE DURAÇÃO TEM UM EQUIPAMENTO DE MAGNETOTERAPIA?

A magnetoterapia desfruta de várias vantagens em relação a outros equipamentos de electroterapia:

● Em primeiro lugar, não se esgota. Não acontece como por exemplo com o laser que passado um tempo se torna ineficaz quando se gasta o elemento que gera o feixe.

● Não precisa de eléctrodos descartáveis que tem de comprar após algumas sessões.

● Enquanto houver corrente eléctrica que o alimente, gerar-se-á o campo indutivo.

● Os seus componentes são muito fáceis e consistentes. É muito difícil que avariem.

Assim, tratando-o bem, um equipamento de magnetoterapia pode durar toda a vida.

QUAIS SÃO OS EFEITOS MAIS IMPORTANTES DA MAGNETOTERAPIA?

A magnetoterapia tem um conjunto de efeitos muito amplo e interessante sobre o corpo humano. Passamos a detalhar alguns dos mais importantes:

● Efeito relaxante sobre a musculatura lisa e estriada, é capaz de actuar sobre músculos contracturados relaxando-os. Descomprime as articulações sobre as quais actuam estes músculos e liberta-os de uma pressão excessiva, resulta de forma muito eficaz em patologias como profusões ou hérnias discais.

● Efeito analgésico. Consegue-se devido a múltiplos factores. O relaxamento do tecido muscular descomprime tecidos adjacentes, o umbral da dor eleva-se, a circulação melhora ao diminuir a pressão sobre arteríolas e vénulas e isso colabora diminuindo o processo inflamatório,

● Osteogénese. A densitometria óssea permite demonstrar sem qualquer dúvida o importante estímulo trófico que produz a magnetoterapia sobre o tecido ósseo. Na actualidade está mais que demonstrado que os campos magnéticos são capazes de induzir a fixação do cálcio no osso e isto aplica-se na Fisioterapia na resolução de múltiplas patologias.

OS EQUIPAMENTOS DE MAGNETOTERAPIA PORTÁTEIS SÃO EFICAZES?

Sim, mas em primeiro lugar temos de destacar que há alguns anos era praticamente impossível pensar que iam existir equipamentos domiciliários da potência e eficácia actuais.

O avanço na miniaturização permitiu produzir equipamentos que podem gerar 100 Gauss e modular o tipo de frequência a utilizar. Assim, para obter resultados temos de consultar as características técnicas e entre elas exigir que a potência do campo magnético seja de 100 Gauss e as frequências devem oscilar entre 1 e 100 Hz.